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Habilidades Obsoletas

O mérito, primo irmão do Valor, é o que enobrece um ser humano na Sociedade.

 

O conhecimento é apenas um ponto de partida para uma pessoa assim.

 

O mérito nasce da capacidade que ela tem de materializar e entregar os bons feitos que soube produzir, gerando valor para todos.

 

No entanto, o que a destaca e a faz ser respeitada são as suas habilidades ou sejam, aquelas suas iniciativas impecáveis que asseguram que tudo de bom que compartilha aconteça num contexto onde a generosidade e a cooperação emitem luz.

 

Todos nós temos habilidades embora nem sempre saibamos delas.  Por outro lado, essas mesmas habilidades têm prazo de validade.

 

Nem todas as habilidades envelhecem bem. Algumas amadurecem, ganham profundidade com o tempo; outras, silenciosamente, perdem relevância até se tornarem meras lembranças de algo que já não funciona mais. 

 

Entender quando as habilidades começam a se tornarem obsoletas é um exercício de lucidez — e também de humildade.

 

Essa obsolescência raramente acontece de forma brusca. Ela se anuncia por sinais sutis, quase sempre ignorados, seja por apego, orgulho ou costume.

 

O primeiro sinal costuma ser a diminuição do impacto gerado.

 

Aquilo que antes resolvia problemas com eficiência passa a produzir resultados irrelevantes. A habilidade ainda funciona mas deixa de ser decisiva e torna-se apenas acessória.

 

Outro indício claro é quando a habilidade começa precisar de  muito esforço para gerar pouco valor. 

A pessoa trabalha mais, explica mais, insiste mais — e colhe menos reconhecimento.

 

Há também o sinal da substituição silenciosa. 

 

Desponta quando novas ferramentas, tecnologias ou processos, passam a realizar a mesma tarefa de forma mais rápida e eficiente fazendo a habilidade perder sua vantagem.

 

Um quarto sinal é o encolhimento da demanda. 

 

Isso ocorre quando cada vez menos pessoas pedem, valorizam ou remuneram aquela habilidade. Ela passa a ser requisitada apenas em nichos muito específicos, muitas vezes sustentados mais por tradição do que por necessidade real.

 

Existe ainda um sinal mais sutil: quando a habilidade se transforma em argumento defensivo. 

 

A pessoa começa a justificá-la com frases como “sempre foi assim”, “isso é o que realmente importa” ou “os modismos passam”. 

Quando a habilidade exige ser defendida o tempo todo é sinal que sua relevância está em declínio.

 

Por fim, um dos sinais mais evidentes da sua dissonância com o momento é quando a habilidade deixa de dialogar com o futuro.

 

Ela explica bem o passado, organiza o presente, mas não ajuda a construir o que vem pela frente.

 

Importante ressaltar: tornar-se obsoleta não significa que a habilidade seja inútil em essência. Significa apenas que o ambiente mudou. O erro está na insistência em tratá-la como eterna.

 

Organizações que prosperam não são aquelas que acumulam habilidades, mas as que sabem atualizá-las, combiná-las ou, quando necessário, deixá-las ir. 

 

A verdadeira competência não está em dominar uma habilidade específica — mas desenvolver sensibilidade para perceber quando ela já cumpriu o seu papel. 

Nesse sentido, a habilidade mais durável de todas, aquela que nem o tempo nem a tecnologia conseguem desgastar, é a capacidade de aprender, desapegar e evoluir. 

 

Habilidades vivas apontam caminhos; habilidades obsoletas só contam histórias.

 

José Carlos Teixeira Moreira

JCTM Marketing Industrial

jctmmarketingindustrial.com.br

Autor: José Carlos Teixeira Moreira