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Testam o produto mas não testam o cliente!

Sou fascinado por carros antigos desde menino. Minha geração já nasceu apaixonada por automóveis…

Tenho alguns daquela época que se tornaram joias preciosas nos meus  “momentos de criança”.

 

Comentando com amigos sobre o famoso JK, um clássico da Alpha Romeo no Brasil, criado em homenagem ao presidente bossa nova Juscelino Kubtischek, lembrei-me de um episódio típico em que o carro foi testado e o dono ou o condutor não.

 

Logo depois que foi lançado ele ficou com a fama de muito mal feito mecanicamente e de pouca confiabilidade.

 

Dentre as características técnicas inovadoras que o carro apresentava uma delas foi a responsável por ele amargar grandes críticas o que veio a prejudicar muito a sua imagem e consequentemente as suas vendas.

 

Quando era preciso trocar um pneu os prisioneiros do cubo da roda se soltavam, de fato eram arrancados pelo borracheiro ou pelo motorista à medida que tentavam tirar a roda do veículo.

 

Realmente era problema grave que comprometia toda a qualidade percebida do lindo e moderno veículo.

 

Acontecia que o JK, com um design muito bonito, trazia um detalhe de segurança inédito para o proprietário brasileiro:

As rodas do lado do motorista eram fixadas por porcas com roscas convencionais, ou seja, à direita, corresponsabilizando o movimento do carro a mante-las mais presas e seguras no lugar.

 

Do outro lado, do lado do passageiro, por conta do mesmo movimento, as porcas, por segurança, contavam com rosca à esquerda de forma a garantir que sempre estariam presas quando o carro andava.

 

Como os clientes, os mecânicos e os borracheiros não foram sequer informados e muito menos testados, toda vez que desapertavam aquelas porcas, para trocar o pneu, eles quebravam as chaves e quase sempre arrancavam os prisioneiros dos cubos complicando tudo.

 

Resultado: “o carro era lindo por fora e muito mal feito por dentro!”

 

Foi um deus me acuda para a Alpha Romeo mudar essa percepção na época!

 

Esse caso marcou-me muito ao longo da minha carreira como executivo de Marketing Industrial nas indústrias por onde passei.

 

Aprendi que nada de novo num produto está a salvo da coautoria do indivíduo que vai usa-lo e dos demais que irão mante-lo funcionando.

 

Desde esse tempo tenho procurado estar sempre alerta!

Um punhado de grandes novidades técnicas foram salvas graças àquele aprendizado que me tocou tanto.

 

Produtos e serviços impecáveis sob o ponto de vista da engenharia, não fosse esse olhar não teriam tido êxito. Foram planejados completamente fora do foco dos seus futuros clientes.

 

Conclusão:

 

Nenhum produto realmente sai pronto da fábrica que o fez.

Ele fica pronto, isto é, torna-se verdadeiramente contributivo se quem o produz aceitar que é o cliente o principal responsável para assegurar os benefícios previstos a serão gerados e não apenas quem o fabricou.

 

Como executivo consultor, com a lente de Marketing Industrial, a vida ensinou-me que  o sucesso indiscutível de um produto só pode ser medido do lado de fora dos muros de onde ele foi feito!

 

José Carlos Teixeira Moreira

JCTM Marketing Industrial

jctmmarketingindustrial.com.br

Autor: José Carlos Teixeira Moreira